Neste texto de Abril publicado no Wall Street Journal, Bret Stephens argumentou – com recurso a estatísticas – que não há justificação para que a “causa palestiniana” seja mais valorizada pela imprensa e a opinião pública mundial do que, por exemplo, a do povo checheno. Em jogo não está apenas a mera contagem de homicídios, como um chomskiano faria, mas também uma equivalência moral: tanto a Rússia como Israel recorrem ao que apelidam de estratégias preemptivas.

Como o número de chechenos assassinados é o triplo dos palestinianos, e como também na Rússia há desproporção no recurso à força contra um povo sem organização estatal que monopolize o uso da violência, então Stephens não vê motivos para que Israel seja demonizada e a Rússia não o seja.

Para além dos radicais que comparam o sionismo com o nazismo, e para além do rasto de anti-semitismo que ainda por aí fermenta (o Médio Oriente é particularmente rico nisso, mas também a Venezuela parece apostada em catalogar os judeus), a maior enfatização dos eventos em Israel não resulta apenas da difícil História judaica mas também, e como consequência dela, de uma baixa tolerância a desvarios políticos israelitas.

Concretamente, as provações do Holocausto, que asseguraram aos judeus um grande capital de confiança internacional, também exercem sobre eles um peso moral: não é aceitável que Israel, um Estado criado na sequência da perseguição racial nazi, exerça sobre os seus vizinhos palestinianos políticas exclusivas e segregacionistas. Aliás, a permanência de Avigdor Lieberman como ministro dos Negócios Estrangeiros do país é sinal de que a “solução final” para a “questão palestiniana” não é uma carta fora do baralho.